Levantamento mostra avanço do empreendedorismo feminino, destaca setores com maior presença de mulheres e reforça a importância das redes profissionais para a geração de oportunidades.

As mulheres já representam 31% dos profissionais que atuam como fundadoras, proprietárias, CEOs ou presidentes de empresas com até dez funcionários no Brasil. O percentual faz parte de um levantamento divulgado pelo LinkedIn em outubro e revela um panorama da participação feminina à frente de pequenos negócios no país.
A análise, realizada com base em dados do LinkedIn Talent Insights, também identificou setores nos quais as mulheres representam pelo menos metade dos profissionais empreendedores considerados no estudo. O levantamento ainda aponta competências profissionais com maior presença feminina e reforça uma tendência de crescimento da atuação das mulheres na criação e na liderança de empresas.
O movimento acompanha uma transformação mais ampla no ambiente empreendedor. Dados do Economic Graph, também do LinkedIn, indicam que a proporção de mulheres fundadoras de empresas de diferentes portes aumentou mais de 15% desde 2019.
Empreendedorismo ganha força entre profissionais brasileiros
O avanço da participação feminina ocorre em um momento de expansão do empreendedorismo entre os usuários brasileiros da plataforma.
De acordo com o SMBs Work Change Report, divulgado pelo LinkedIn em fevereiro de 2026, o número de profissionais no Brasil que utilizavam o título de founder (fundador ou fundadora) em seus perfis cresceu 64% entre julho de 2024 e julho de 2025. O resultado representa um avanço quase três vezes superior ao último crescimento registrado pela plataforma, em 2022.
Entre os empreendedores de empresas com até dez funcionários, independentemente do gênero, a concentração é maior nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Campinas e Porto Alegre.
Na distribuição por atividade econômica, destacam-se o comércio varejista, os serviços e a consultoria em tecnologia da informação, além de publicidade, consultoria empresarial e desenvolvimento de software. Os dados mostram a presença expressiva de pequenos negócios em segmentos ligados tanto ao consumo quanto à prestação de serviços especializados.
Setores concentram maior participação feminina
A presença das mulheres na liderança de pequenos negócios varia conforme o segmento econômico. No recorte analisado pelo LinkedIn, há atividades nas quais elas correspondem a pelo menos 50% dos profissionais empreendedores considerados.
Entre os setores identificados estão recursos humanos, relações públicas e comunicação, comércio de vestuário e moda, fabricação de produtos para cuidados pessoais, arquitetura e planejamento, recrutamento e seleção, práticas médicas e serviços veterinários.
A lista inclui ainda o varejo de artigos de luxo e joias e o comércio de materiais artísticos.
A diversidade de áreas evidencia que a atuação empreendedora feminina alcança diferentes frentes da economia, desde serviços especializados e atividades ligadas à saúde até mercados de consumo e segmentos criativos. Ao mesmo tempo, a variação entre os setores demonstra que a participação das mulheres na liderança empresarial não ocorre de maneira uniforme.
Habilidades interpessoais aparecem entre os destaques
Além de mapear a presença feminina por setor, o LinkedIn examinou as competências registradas nos perfis das profissionais analisadas.
Inteligência emocional, capacidade de realizar múltiplas tarefas, autogestão, trabalho em grupo e colaboração em equipe estão entre as habilidades com maior representação feminina no levantamento.
O conjunto reúne competências associadas à organização das atividades, à condução do trabalho e à interação com outras pessoas, aspectos relevantes para a rotina de quem lidera equipes, administra operações e desenvolve relacionamentos profissionais.
Para Analía Cervini, Head de Comunicação do LinkedIn para a América Latina, o avanço das mulheres no empreendedorismo também contribui para ampliar as referências de liderança no mercado.
“Cada vez mais, mulheres estão mostrando que existem diferentes formas de liderar, inovar e conquistar seu espaço no mercado”, afirma.
Segundo a executiva, a plataforma busca dar mais visibilidade às empreendedoras e favorecer conexões profissionais capazes de abrir caminhos para novas oportunidades de negócio.
Conexões profissionais ajudam a abrir oportunidades
A importância do relacionamento profissional também aparece em outra pesquisa da plataforma. Segundo o LinkedIn, 88% dos empreendedores individuais brasileiros entrevistados consideram sua rede de contatos profissionais importante para encontrar novos caminhos e oportunidades de carreira.
Quando considerados todos os profissionais ouvidos na pesquisa, o percentual sobe para 97%.
Os resultados reforçam o papel das conexões na trajetória de quem empreende. Além de contribuir para o desenvolvimento profissional, uma rede de contatos pode aproximar empresários de potenciais clientes, parceiros comerciais, especialistas e referências de mercado.
Nesse contexto, o networking passa a representar um recurso estratégico para a expansão dos negócios, especialmente para empreendedores que precisam ampliar sua visibilidade, construir relacionamentos e identificar novas possibilidades de atuação.
Encontro em São Paulo debate carreira e empreendedorismo feminino
Como parte de suas iniciativas voltadas a diferentes comunidades profissionais, o LinkedIn promoveu, em 20 de outubro, em São Paulo, um encontro dedicado a mulheres com experiências em carreira e empreendedorismo.
A programação incluiu uma apresentação de Analía Cervini sobre o uso estratégico da plataforma para fortalecer a presença profissional e impulsionar negócios. O evento também reuniu a jornalista, escritora e apresentadora da CBN Petria Chaves e a empreendedora, mentora e palestrante TEDxWomen Tânia Zacharias.
Durante o encontro, Petria ressaltou a importância das relações de confiança para compartilhar conhecimento, construir oportunidades e ampliar a autonomia feminina.
“As redes de confiança são fundamentais para a circulação de ideias, a criação de oportunidades e a autonomia das mulheres”, afirma.
Tânia Zacharias, por sua vez, relacionou o crescimento do empreendedorismo feminino à evolução das formas de exercer a liderança e estruturar negócios.
A iniciativa integra uma agenda de ações da plataforma direcionadas a diferentes grupos profissionais. Em 2025, o LinkedIn realizou atividades voltadas a trabalhadores da indústria da beleza e, em junho de 2026, a profissionais da área da saúde.
Os dados apresentados no levantamento e as iniciativas promovidas pela plataforma colocam em evidência duas dimensões do empreendedorismo feminino: a presença das mulheres na liderança de pequenos negócios e a importância da visibilidade e das conexões profissionais para ampliar oportunidades de desenvolvimento empresarial.